Crise de ansiedade: O que fazer na hora e depois?

Resposta rápida: durante uma crise de ansiedade, o primeiro passo é lembrar que ela é assustadora, mas não é perigosa por si só. Respire de forma lenta e prolongada, procure um lugar tranquilo, foque em algo concreto ao seu redor (o chão sob os pés, um objeto na mão) e espere, pois a maioria das crises atinge o pico em cerca de 10 minutos e começa a passar em seguida. Se os episódios se repetem ou atrapalham sua rotina, vale conversar com um psiquiatra.

Se você está lendo isso agora, no meio de uma crise, ou correndo atrás de informação para ajudar alguém que ama, este texto foi pensado para dar respostas diretas primeiro e contexto depois, para quem quiser entender melhor o que está acontecendo.

O que é uma crise de ansiedade?

Uma crise de ansiedade é uma resposta intensa e repentina de medo ou desconforto, geralmente desencadeada por uma preocupação ou um gatilho específico. Por vezes, ocorre até sem motivo aparente. O corpo entra em estado de alerta, como se houvesse um perigo real, mesmo quando não há.

Isso acontece porque o sistema nervoso ativa o que chamamos de resposta de “luta ou fuga”, uma reação biológica muito antiga, útil diante de ameaças reais, mas que pode disparar de forma desproporcional em situações de estresse crônico acumulado, insônia, sobrecarga emocional ou predisposição individual.

Crise de ansiedade e ataque de pânico são a mesma coisa?

Não exatamente, embora estejam relacionados. A crise de ansiedade costuma ter um gatilho identificável (uma preocupação, uma cobrança, um conflito) e se instala de forma mais gradual. O ataque de pânico é mais abrupto, muitas vezes sem causa aparente,  tendendo a trazer sintomas físicos mais intensos, como sensação de sufocamento ou medo de morte iminente. Na prática clínica, muitas pessoas vivem as duas coisas e o tratamento costuma ser semelhante.

Sintomas mais comuns de um ataque de pânico

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas alguns aparecem com frequência:

Sintomas físicos

  •  Coração acelerado ou palpitações
  •  Falta de ar ou sensação de sufocamento
  •  Tremores, suor frio ou calafrios
  •  Aperto ou dor no peito
  • Tontura, formigamento ou sensação de “pernas bambas”
  •  Náusea ou desconforto abdominal

Sintomas emocionais e cognitivos

  •  Medo intenso, sem conseguir nomear exatamente do quê
  •  Sensação de que algo terrível vai acontecer
  •  Sensação de estar fora do próprio corpo (despersonalização)
  •  Dificuldade de concentração ou de organizar pensamentos
  •  Vontade urgente de fugir da situação

Se esses sintomas soam familiares, você não está exagerando e não está sozinho: a ansiedade é uma das queixas mais comuns em consultórios de psiquiatria.

O que fazer durante uma crise de ansiedade ou ataque de pânico (passo a passo)

Quando a crise já começou, o objetivo não é “eliminar” a ansiedade na hora. A ideia é ajudar o corpo a sair do estado de alerta com mais rapidez e segurança.

  1. Nomeie o que está sentindo. Dizer, mesmo mentalmente, “estou tendo uma crise de ansiedade, isso vai passar” já reduz parte do medo do medo.
  2. Regule a respiração. Inspire contando até 4, expire lentamente contando até 6. Respirações mais longas na saída do que na entrada ajudam a acalmar o sistema nervoso.
  3. Ancore-se no presente (técnica 5-4-3-2-1). Observe 5 coisas que você vê, 4 que pode tocar, 3 que pode ouvir, 2 que pode cheirar e 1 que pode saborear. Isso tira o foco da sensação de perigo e traz a atenção de volta ao ambiente real.
  4. Busque um lugar mais calmo, se possível. Não é obrigatório sair correndo, mas reduzir estímulos (som, luz, multidão) costuma ajudar.
  5. Espere a onda passar. A maioria das crises atinge a intensidade máxima entre 5 e 10 minutos e depois começa a ceder naturalmente, mesmo sem nenhuma intervenção.

O que fazer durante uma crise de ansiedade ou ataque de pânico (passo a passo)

Técnica de respiração para crise de ansiedade ou ataque de pânico

A respiração é a ferramenta mais acessível porque está sempre disponível. Um padrão simples e eficaz:

  •  Inspire pelo nariz contando até 4
  •  Expire devagar, contando até 6 a 8
  •  Repita por 1 a 2 minutos, sem pressa

Não é necessário fazer “perfeito”. O objetivo é desacelerar, não controlar cada detalhe.

O que não fazer durante uma crise ou ataque

Algumas reações, embora pareçam ajudar na hora, tendem a prolongar o sofrimento:

  •  Lutar contra a ansiedade ou tentar “se acalmar à força”. Isso costuma aumentar a tensão. É mais eficaz permitir a sensação e esperar ela diminuir.
  •  Evitar completamente o lugar ou a situação no futuro. A evitação alivia no curto prazo, mas reforça o medo no longo prazo.
  •  Usar álcool ou outras substâncias para “desligar” a ansiedade. Isso não trata a causa e pode piorar o quadro com o tempo.
  •  Se cobrar por estar em crise. Sentir vergonha ou raiva de si mesmo só adiciona mais ansiedade à ansiedade.

Como ajudar alguém em crise de ansiedade ou ataque de pânico

Se você está com alguém passando por isso, o papel mais importante é o de presença calma, não o de solução:

  •  Fale em tom de voz baixo e pausado
  •  Evite frases como “para de exagerar” ou “não é nada”
  •  Pergunte objetivamente: “o que você precisa agora?”
  •  Ajude a pessoa a respirar mais devagar, respirando junto com ela
  •  Não force contato físico sem perguntar antes
  •  Fique por perto até a crise passar, sem pressa para que “acabe logo”

Quando procurar um psiquiatra

Uma crise isolada, ligada a um momento de estresse pontual, muitas vezes não indica um transtorno. Mas alguns sinais merecem avaliação profissional:

  •  As crises se repetem com frequência (mais de uma vez por semana ou por mês)
  •  Você começou a evitar lugares, pessoas ou situações por medo de ter uma crise
  •  A ansiedade interfere no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos
  •  Você sente medo constante de ter uma nova crise, mesmo fora dela
  •  Apareceram sintomas de tristeza persistente, insônia ou perda de interesse, além do esgotamento típico de burnout acumulado

Nesses casos, um psiquiatra pode oferecer uma avaliação especializada para ansiedade em Porto Alegre e construir, junto com você, um plano de tratamento que pode incluir psicoterapia, ajustes de rotina e, quando indicado, medicação.

Fontes de referência para quem quiser se aprofundar: Ministério da Saúde Transtornos de Ansiedade e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Perguntas frequentes sobre crise de ansiedade e ataque de pânico

Crise de ansiedade ou ataque de pânico podem ser perigosos ou fazer mal ao coração?

Fisicamente, uma crise de ansiedade ou ataque de pânico isolados não costumam representar risco à vida, mesmo quando os sintomas físicos (coração acelerado, falta de ar) são intensos e assustadores. Ainda assim, se for a primeira vez, se a dor no peito for muito forte ou se houver dúvida sobre a causa dos sintomas, é sempre recomendável buscar atendimento médico para descartar outras condições.

Quanto tempo dura um ataque de pânico?

Na maioria dos casos, o pico da crise dura entre 5 e 10 minutos e os sintomas tendem a diminuir gradualmente ao longo de 20 a 30 minutos. Sensações residuais de cansaço ou apreensão podem persistir por mais tempo.

Ataque e transtorno de pânico são a mesma coisa?

Não são idênticos, mas estão próximos. O transtorno de pânico é caracterizado por ataques recorrentes e inesperados, junto com medo persistente de ter novos ataques e/ou evitações. Um ataque de pânico pontual não significa necessariamente que a pessoa tenha transtorno de pânico.

Preciso tomar remédio para crise de ansiedade ou ataque de pânico?

Não necessariamente. O tratamento é individualizado: em alguns casos, psicoterapia e mudanças de rotina já são suficientes; em outros, a medicação é uma ferramenta importante para estabilizar os sintomas. Essa decisão deve ser feita em conjunto com um psiquiatra, considerando frequência, intensidade, comportamentos e sintomas associados e o impacto deles na sua vida.

Como diferenciar um ataque ou crise de um infarto?

Eles podem gerar sintomas parecidos, como dor no peito e falta de ar. Por isso, a dúvida é comum e válida. Diante de dor forte no peito, principalmente irradiando para o braço, mandíbula ou costas, suor intenso ou desmaio, procure atendimento de emergência imediatamente, pois é sempre mais seguro descartar uma causa cardíaca primeiro.

Sobre o Dr. Cristiano Belem

Sou psiquiatra, doutor e pós-doutor em Psiquiatria pela UFRGS. Ao longo da minha trajetória, tenho me dedicado ao cuidado de pessoas que enfrentam ansiedade, depressão e outras dificuldades emocionais. Atendo presencialmente em Porto Alegre e também por telemedicina, para pacientes de todo o Brasil.

Entendo que procurar um psiquiatra nem sempre é uma decisão fácil. Por isso, procuro oferecer um espaço de escuta, respeito e acolhimento, onde você possa falar sobre o que está vivendo sem julgamentos. A partir dessa conversa, avaliaremos juntos as melhores possibilidades de tratamento para o seu caso.

Sobre o autor:

Cristiano Belem - Psiquiatra em Porto Alegre

Dr. Cristiano Belem é médico psiquiatra em Porto Alegre, com mais de 15 anos dedicados ao cuidado de pessoas com transtornos de ansiedade, depressão, TDAH e outros transtornos de humor.

Psiquiatra em Porto Alegre. Doutorado e pós-doutorado em Psiquiatria pela UFRGS. Com foco em ansiedade, depressão e TDAH.

CRM/RS 31962 • RQE 23141

As informações deste site têm caráter educativo e não substituem avaliação médica individualizada.
O diagnóstico e o tratamento devem ser realizados por profissional habilitado.